O Colossal Sonho de Sonhar
Novembro 26, 2009

Eis-me firme no descontentamento,
Nas aras da vida, vivi, morrendo.
Espectro de mim me desvanecia,
Se na tua alma triste me desguarnecia.
Sendo esse o factor do infinito fim,
Debruço-me na varanda dos sonhos,
Torturo-me em gestos enfadonhos,
Na espiral da vida mundana em mim.
Mas queria ser o que não sou,
E não o precavi numa dose de virtudes,
Instalada no abismo agora estou,
Olhando perdida nas altitudes.
No descontrolo do êxtase saltei,
Saltando num mar de rosmaninho,
Pensei que poderia morrer mas sonhei,
Que me encontrava num bosque escarninho.
E foi então que a morte abracei, abraçando,
E dei por mim, rebento pequenino.
Nasci de novo e procurei sorrindo,
Não viver a vida num tumulto sozinho.
Por: Luthien
Cântico das Nébulas
Agosto 22, 2009

Nébulas cercam os céus
Deambulando no hemisfério da mente,
Penetrando nos confins do corpo,
Preenchendo o inconsciente,
Enchendo vislumbres no vazio.
Silêncio.
Noite.
Lua.
Estrelas.
Qual sentido da vida,
Inundam-se vós de ignorância pura.
Pobres de vós,
Pobres de vós,
Que não vêm o deslumbre da nébula.
Tudo são estrelas,
Tudo são estrelas,
Enxerguem no vazio,
Enxerguem o Lumiar da verdade.
Caíam no abismo colossal,
Caíam na roda das reencarnações.
E tudo é todo,
E todo é tudo,
Eis a iluminação.
Por: Luthien
Mulher Tigre
Agosto 22, 2009

Rasgas a carne
Nos confins dum desejo,
A vontade já não te sacia
E a saliva contorna o teu seio,
Numa fome devassa e obsessiva
Transformando-se em agonia
Contida num silêncio de prazer.
Mordes a pele da tua presa,
E a língua prova o corpo
Entre as chamas da sensualidade,
Ès a domadora do teu fogo
Na floresta dum leito só teu.
Adornada pelas listras,
Ès guerreira e tigre,
E no teu sexto sentido
Nada realmente te domina
No devorar da paixão.
Arranca e desfaz essa carne
No escarlate do teu beijo,
No teu olhar de desejo,
Na dança da criatura,
Metamorfose genuína
De mulher felina.
Por: Luthien
Poema antigo do meu blog Undomiel