Cântico das Nébulas
Agosto 22, 2009

Nébulas cercam os céus
Deambulando no hemisfério da mente,
Penetrando nos confins do corpo,
Preenchendo o inconsciente,
Enchendo vislumbres no vazio.
Silêncio.
Noite.
Lua.
Estrelas.
Qual sentido da vida,
Inundam-se vós de ignorância pura.
Pobres de vós,
Pobres de vós,
Que não vêm o deslumbre da nébula.
Tudo são estrelas,
Tudo são estrelas,
Enxerguem no vazio,
Enxerguem o Lumiar da verdade.
Caíam no abismo colossal,
Caíam na roda das reencarnações.
E tudo é todo,
E todo é tudo,
Eis a iluminação.
Por: Luthien
Mulher Tigre
Agosto 22, 2009

Rasgas a carne
Nos confins dum desejo,
A vontade já não te sacia
E a saliva contorna o teu seio,
Numa fome devassa e obsessiva
Transformando-se em agonia
Contida num silêncio de prazer.
Mordes a pele da tua presa,
E a língua prova o corpo
Entre as chamas da sensualidade,
Ès a domadora do teu fogo
Na floresta dum leito só teu.
Adornada pelas listras,
Ès guerreira e tigre,
E no teu sexto sentido
Nada realmente te domina
No devorar da paixão.
Arranca e desfaz essa carne
No escarlate do teu beijo,
No teu olhar de desejo,
Na dança da criatura,
Metamorfose genuína
De mulher felina.
Por: Luthien
Poema antigo do meu blog Undomiel
A tua Tela
Outubro 18, 2008

Arco-íris pintando céus,
Vislumbres de cores entre pigmentos de anil,
Corpos nus sobre a relva esmeralda,
Tocando a pele delicada da Primavera.
Os teus lábios imaculados nos meus,
Oscilando os dedos nos cabelos de ouro,
Pintando os teus olhos de azul abismo,
Fazendo-me cair nos contornos do teu corpo,
E lá, suspensa nessa terra perdida de Herne,
Coloria a tua face de suave escarlate,
Seria essa a tinta do amor,
Puro e singelo não menos primaveril,
Mas sempre pintado.
E através do lume das palavras,
Destrois e pintas a tela do mundo,
Voando com asas furtadas dum anjo,
Por entre o arvoredo do cosmos,
Proferes rancor nas cinzas da benevolência,
E mesmo assim pintando uma tela distinta,
Salpicas de azul uma Luz anil,
Entre pigmentos de arco-íris desse teu céu.
Por: Luthien