Presságio

Fevereiro 20, 2007

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Teci a minha teia de visão,
Nas linhas brilhantes viajei no tempo
Vislumbrei futuros, presenciei passados,
Deixei inalar o doce incenso.

Caí nas águas escuras da Arte
Tão negras como as trevas
Enquanto a bacia de água brilhava
Perdi-me entre as cortinas das névoas.

Teci mais uma vez,
A bruma lá fora caía espessa,
A gota de orvalho pingara a teia
Humedecia os cabelos da tecedeira.

Alguém gritava, as casas ardiam,
Homens avançavam de armas envergadas
As portas do inferno reabriam
As asas do caos na pele os abraçavam.

Inalei de novo a mesma poeira,
Enquanto o meu negro véu na bacia retocava
Reflectindo Fogo, a chama sagrada
A fome misturada na guerra,
A doença também estava entrelaçada…

Teci mais um pouco com a mesma sede,
Enojada pela metamorfose da banalidade,
Espasmos tropeçaram no meu peito,
Arrepios do vislumbre da mesma realidade.

Oh, mas eu era apenas uma Deusa,
Contagiada pela dor do sofrer
Como tal era espinhosa essa forma de dor…
Enganava os homens que caíam pelo mesmo abismo
Estalava a sede dum profundo caos.

Não tinha nome, somente corpo
A alma fora-me resguardada
Apenas sentia os adornos da prata
E perto a criança murmurava :
- A sorte estava lançada…

Por: Lvcina H.

A Chave da Calendária

Fevereiro 1, 2007

A nuvem de corvos pairava,
De asas agrestes num luto sórtido,
Penas de cotovia na humilde Dama.
Um ser único entre a demanda.

Trovava o bardo – Que fogo novo trazera
Era chamada a Senhora da Chama,
O bando de pássaros na penumbra
Um cabelo vermelho oscilava…

No seu ventre a Chave envergava,
Conhecedora da Verdade singelosa,
A Guardiã do portal era mestre
Poetiza das chamas,
E a mais melodiosa.

Ardia de Luz a grande Brígida,
Suspirando fogo intemporal
Na mente do vento e no canto da carriça
Num canto incadescente incolor e primordial.

Na arte do tempo onde os corvos dançavam
Ainda lá se encontrava a doce Dama,
Rainha da Chama, rainha da chama…
Saudosa, temivel, celestial.

Por: Lvcina H.