O Rito

Maio 9, 2007

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Eis o momento regenerador,
O flagelo dos hemisférios turvando na penumbra,
As sombras turvando nas águas imundas
As mãos da mulher vertendo a bacia daquele líquido escuro.

Véus caiam no compasso do vento,
Qual tempestade, nada se rendia
Perante a chuva de olhares visionários
Os que compunham aquele circulo de mestria.

Tanaris, evocavam ressonando,
Batendo com os pés na terra molhada,
O suor dos corpos compenetrando-se
Naquele rito de lua encarnada.

Se os céus comparecessem a tão compactuada energia,
Gritariam por entre os sete caminhos da obscuridade
Para que lhes fosse permitido gerar força tal
Que bloqueasse os corações no limiar da verdade.

Mas Aernus senhor do vento não vacilava,
Transbordou a taça e a visão foi quebrada,
O suor da convalescença a doença do transe
Tudo no pavor e na insanidade se misturava.

Ah, mas a catástrofe ainda agora recomeçava,
As linhas da água nas rotas do gelo,
No seio o leite não saciava
Mas que criança, seria o povo
Que a sua própria morte cavava.

O tambor rufava no silencio com brio
Tocado pelo sábio em sua própria ressaca,
Quando tudo passara de um conto no vazio
Na noite da lua não escarlate, encarnada.

Por: Lvcina