Presos em Nós
Outubro 16, 2008

Porque nos perdemos,
Somente no reflexo de nós mesmos
Cegando e vendando,
As nossas almas na clausura dos medos.
Um silêncio devastando vaidades,
Cativa o nosso ego em retalhos de vidro,
Quebrados apreendidos
Nas profundezas dos perdidos.
Porque nos aprisionamos por própria vontade
Nas teias do egoísmo,
Que nos consome a sangue frio,
Alimentando o egocentrismo.
E nas profundezas dum espelho
Enclausurados somos de nós mesmos,
E na nostalgia dos pensamentos,
Sofremos porque queremos.
Por: Luthien
É a pura verdade, sofremos porque queremos… porque nos damos a esse luxo que é sofrer por coisas triviais.
Quase
O estar preso em nós para mim significa isto…
Um pouco mais de sol – eu era brasa,
Um pouco mais de azul – eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa…
Se ao menos eu permanecesse aquém…
Assombro ou paz? Em vão… Tudo esvaído
Num grande mar enganador de espuma;
E o grande sonho despertado em bruma,
O grande sonho – ó dor! – quase vivido…
Quase o amor, quase o triunfo e a chama,
Quase o princípio e o fim – quase a expansão…
Mas na minh’alma tudo se derrama…
Entanto nada foi só ilusão!
De tudo houve um começo … e tudo errou…
- Ai a dor de ser – quase, dor sem fim…
Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim,
Asa que se enlaçou mas não voou…
Momentos de alma que, desbaratei…
Templos aonde nunca pus um altar…
Rios que perdi sem os levar ao mar…
Ânsias que foram mas que não fixei…
Se me vagueio, encontro só indícios…
Ogivas para o sol – vejo-as cerradas;
E mãos de herói, sem fé, acobardadas,
Puseram grades sobre os precipícios…
Num ímpeto difuso de quebranto,
Tudo encetei e nada possuí…
Hoje, de mim, só resta o desencanto
Das coisas que beijei mas não vivi…
Um pouco mais de sol – e fora brasa,
Um pouco mais de azul – e fora além.
Para atingir faltou-me um golpe de asa…
Se ao menos eu permanecesse aquém…
(Mário de Sá Carneiro)